A diabetes mellitus, é a mais vulgar das doenças metabólicas que provoca distúrbios no metabolismo dos açúcares, gorduras e proteínas, trata-se de uma doença adquirida habitualmente com a idade e / ou com a persistência de comportamentos de risco, ( como ingestão imoderada de H.C. sedentarização, aumento do peso ponderal ) havendo também o compromisso de uma forte componente genética.
Deve-se a uma dificuldade ou incapacidade do Pancreas, em segregar uma hormona designada por insulina que é indispensável para transformar o açúcar contidos nos alimentos ingeridos, por forma a serem aproveitados pelas células como factor energético. – A insulina poderia assim designar-se como a chave que abre as células, para receber a energia do açúcar ) (Esta designação “Mellitus” deriva do latim, significando “o doce mel”
Em épocas antigas, os médicos diagnosticavam a diabetes mellitus provando a urina e o sangue do paciente, que óbviamente se apresentavam adocicados.
esta designação foi adoptada nas últimas décadas para fazer a distinção com outra doença de nome semelhante mas muito diferente a “ Diabetes insípida ou insipidus“ esta última ocasionada pela deficiência da hormona antidiurética designada por (vasopressina) produzida no hipotálamo do cérebro e libertada pela neuro-hipófise ou ainda pela insensibilidade dos rins a esta hormona.
Quando há pouca ou nenhuma insulina no sangue, o açúcar por si só não pode ser aproveitado, por esse facto aumenta a sua concentração na circulação sanguínea ( sendo esses valores medidos habitualmente nos testes de BM ) e parte dele pode ser até expelido pela urina, mas...as células de que se compõem todos os nossos órgãos, continuam carentes desse elemento energético, por não o poderem aproveitar, pondo em risco o seu normal funcionamento, produzindo graves perturbações da visão, da função renal, do sistema cardio-vascular, do sistema muscular, do sistema reprodutor, das funções cognitivas, podendo nalguns casos produzir um estado comatoso e até a morte.
O excesso de açúcar no sangue designa-se por “hiperglicémia”, e a sua falta ou carência designa-se por “hipoglicémia”.
Os valores normais para um “adulto saudável “, varia entre 80 e os 120 mgs/dl no sangue dependendo no momento da sua análise, do teor “Hidratos de carbono” entretanto ingeridos.
Podemos genericamente considerar-se um estado de “hipoglicémia”quando os valores são inferiores a 60 mgs/dl e por “hiperglicémia” quando os valores são superiores a 140 mgs/dl
Quando o pancreas ainda segrega alguma insulina, basta uma terapia constituída por antibiabéticos orais, uma dieta pobre em açúcarados, exercício físico moderado e o controlo torna-se relativamente fácil de estabelecer, chama-se a esta doença “Diabetes tipo II”. ( nalguns casos mais benignos o doente faz a medicação e muito raramente precisa de fazer dieta rigorosa )
Quando o pancreas não segrega nenhuma insulina, o que acontece mais vulgarmente na infância ou juventude, (não excluindo idades mais tardias, por falência dessa função naquele órgão) é necessário fazer o suprimento dessa hormona em falta, na proporção equivalente à quantidade de Hidratos de carbono ingeridos; com insulina injectável, designa-se a este tipo de diabetes do “ tipo I “ou ( insulino dependente )
( Existem hoje, diversos tipos de insulina, com tempos de actuação diversos), a sua acção pode ser rápida, semi-lenta ou mesmo lenta conforme for prescrita em cada caso concreto, podendo haver situações em que se combinam a administração de mais de um tipo de insulina.
Sabemos que os alimentos são a principal fonte produtiva de glicose Açúcar), contudo, existem outros factores que podem contribuir subsidiariamente para aumentar os indices de açúcar no sangue, como por exemplo : a concomitancia de um processo infeccioso e / ou a toma de alguns medicamentos como : a aspirina, beta-bloqueadores ( anti-hipertensivos ), certos diuréticos como o ( lasix ) ,as cortisonas e os barbitúricos, (indutores do sono hoje pouco usados.em geriatria).
Também concorrem para aumentar a glicémia, qualquer alteração fortemente emotiva, real ou imaginária, esta última mais frequente nas demências com uma componente delirante, sobretudo se os quadros agitativos manifestam estados de extrema preocupação ou angústia.
Estes imponderáveis tornam sobretudo o diabético tipo I (ID) num doente de risco acrescido, necessitando de um controlo mais assíduo de BM testes, e exige dos seus cuidadores, uma diversidade de conhecimentos, desde o IG ( índice de glicémia dos alimentos ) ou seja a capacidade variável que os alimentos possuem para sintetizar o açúcar, dos sintomas de alarme manifestados pelo doente, até como actuar sem a mínima hesitação em caso de emergência, para evitar males maiores.
É vulgar admitir-se que quando um diabético toma insulina, pode despreocupar-se com a dieta. Este procedimento é um evidente erro, que chega a inverter até a própria patogénese da diabetes, pretendendo utilizar-se com regularidade alimentos com altos valores de (IG ) para compensar o excesso de insulina administrada.
Outro erro muito comum é admitir-se, que determinada quantidade de insulina administrada com êxito num determinado período, é válido para todas as situações futuras, independentemente dos alimentos ingeridos. Essa convicção provoca naturalmente situações que podem ser graves, tendo em conta que existem oscilações e imponderáveis já anteriormente referidos.
Pese embora, que nem todos os Diabéticos apresentam toda a sintomatologia que caracteriza este desequilíbrio metabólico, devemos considerar que um ou mais dos sinais abaixo referidos deverão constituir um alerta, a ser despistado pelo seu médico ou por exames analíticos por este recomendado.
Assim:
O excesso de peso ou magreza injustificáveis
O aumento da sede (polidipsia)
O aumento da freqüência e do volume urinário (poliúria)
O aumento do apetite (polifagia)
O aumento da fadiga ou fraqueza muscular, sonolência excessivas (astenia)
A perda pronunciada da visão (retinopatia diabética)
Uma pronunciada intolerância ao frio
A vermelhidão da face (rosáceas)
A Dificuldade de cicatrização de ferimentos ou restabelecimento físico
O Arrefecimento dos pés e das mãos com cor azulada (cianose das extremidades)
A ulceração inexplicável da planta dos pés (mal perfurante plantar)
A comichão no corpo com prurido, atingindo nas mulheres a zona
Genital (dermatites e/ou lesões tróficas da pele)
A perda de pelos no terço inferior das pernas dos homens
A irritação e inflamação dos cantos da boca (perleche)
A perda injustificada da capacidade de suar (Anidrose)
Problemas gengivais, com abcessos (periodontite)
A halitose fétida, ou em casos de acidose metabólica, cheiro de acetona
São os mais importantes sintomas que requerem uma atenção redobrada para o eventual despiste da Diabetes e dos seus riscos.
O diabético crónico, vai aumentando a tolerância à hiperglicémia, razão porque muitas vezes, torna-se assintomática a existência de valores superiores a 300 mgs/dl, quando noutras pessoas poderiam induzir um estado comatoso.
Como medida de urgência deverá nos valores iguais ou superiores a 300 mgs/dl fazer a dministração de 5 unidades de insulina rápida tipo atrapid e controlar o seu progresso, 30 a 60 minutos depois.
Em contrapartida a hipoglicémia torna-se no diabético crónico, mais sensível que o normal, revelando por vezes desconforto com valores ligeiramente inferiores a 100 mgs/dl, que em qualquer indivíduo não diabético seria considerado muito satisfatório.
Esta razão justifica a recomendação médica ( aparentemente paradoxal ) de que o diabético deve manter os seus parâmetros de normalidade entre os 140 mgs/dl valor mínimo e os 250 mgs/dl como valor máximo.
Alguns endocrinologistas, recomendam como forma de evitar as temíveis hipoglicemias, parâmetros ainda mais folgados, como valores próximos dos 200 mgs/dl em jejum, e 250 mgs/dl ao deitar.
Devemos ter sempre em conta que durante a noite o diabético pode dissipar quantidades de açúcar entre os 60 mgs/dl e os 100 mgs /dl, razão porque o seu jejum não deve ultrapassar as 6 horas, mas quando passa, bastará um copo de leite ou duas bolachas doces para evitar aborrecimentos.
Despiste da hipoglicemia
Pele fria e suada
Palidez
Fome súbita e compulsiva
Tontura e tremores
Aumento da frequência cardíaca
Visão turva ou duplicada
Sensação de desmaio com sudação abundante
Dormência dos lábios e da língua
Mudanças súbitas de comportamento
(Irritabiilidade, excitação psicomotora, perturbação da linguagem)
Cefaleia ( Dor de cabeça ) intensa
Estados convulsiformes
Perda do conhecimento
Lipotímia ( desmaio ) sem qualquer resposta a estímulos
Coma e morte~
Com o doente ainda consciente, deve fazer-lhe ingerir rapidamente uma papa doce, bolachas, mel ou mesmo um carteirinha de açúcar e controlar os seus sinais vitais.















