E CROCHET
que prima pelo exemplo)
Homenagem à " Mãe "
Em cima da minha mesa
Da minha mesa de estudo
Mesa da minha tristeza -
Em que de noite e de dia
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo(Eu já me estudo...)
E me estudo A mimTambém
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retrato, Mãe!
À cabeceira do leito,
Dentro de um caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora...
Ai minha Nossa Senhora,
Que se parece contigo,
E que tem ao peito,Um filho
(O que ainda é mais estranho) Que se parece comigo,
Num retratinho,Que Tenho,
De menino pequenino!...
No fundo da minha mala,
Mesmo lá no fundo a um canto,
Não lhes vá tocar alguém,
(Quem as lesse, o que entendia? Só riria
Do que nos comove a nós...)J
á tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa...
Três maços - e nada leves! -
Atados com um retrós...
Se não fora eu ter-te assim,
A toda a hora, Sempre à beirinha de mim,
(sei agora ,Que isto de a gente ser grande
Não é como se nos pinta...)Mãe!,
já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido
Algum tinteiro de tinta.
José Régio
A velhice e as estações
| CAMAS DOS HOSPITAIS ESTÃO A SUBSTITUIR LARES | | | |
| Terça, 08 Fevereiro 2011 14:42 |
| Rede de cuidados continuados ainda é insuficiente
|
Tocar significa contactar, ou seja, relacionar-se com aquilo que se situa fora da nossa própria periferia. Para os seres humanos assim como para os outros animais, o acto de tocar é de importância vital. O contacto desenvolve confiança, transmite calor, prazer, conforto e renovada vitalidade.
O contacto diz-nos que não estamos sós. De entre todos os sentidos, o tacto é o primeiro a desenvolver-se. Como bebés, é principalmente pela nossa experiência táctil que exploramos e percebemos o mundo e o contacto amoroso dos nossos pais é essencial para nosso crescimento. Sempre que a nossa necessidade de tocar e ser tocado é satisfeita, crescemos mais saudáveis; mas, quando ela é inibida, o nosso desenvolvimento pode ficar comprometido. Porque as carícias, abraços e afagos que recebemos na infância ajudam-nos a construir uma imagem saudável de nós mesmos e acalentar o sentimento de que, porque somos tocados, somos aceites e amados.
Há mais de vinte anos, o psicólogo americano S.M.Jourard demonstrou que a nossa percepção do quanto e como somos tocados por outras pessoas, parece estar nitidamente relacionado com a nossa auto-estima e a nossa valorização pessoal.
Experiências com jovens primatas demonstraram como é essencial o contacto físico com uma mãe "quentinha" e carinhosa e por outro lado, o quanto pode ser física e emocionalmente bloqueadora a privação do contacto, uma vez que todas as sensações de realidade estão baseadas no sentido do tacto.
Na nossa sociedade ser privado do contacto com os outros seres humanos, é uma punição – e a pior de todas as punições é o confinamento a uma solitária de prisão. Ao sermos impedidos de tocar e ser tocados, sentimo-nos angustiosamente sozinhos e ansiosos potenciando todos os nossos sofrimentos.
Num recente estudo clínico norte-americano, os indivíduos a quem foram negados o contacto físico, informaram ter sentido grande angústia pelo isolamento e muita carência do calor humano.
O tacto é a linguagem que todos nós usamos instintivamente para revelar os nossos sentimentos, para demonstrar às outras pessoas que são amadas, desejadas ou apreciadas. "- Quando alguém sofre uma contusão ou simplesmente uma dor, a nossa resposta natural passa por uma fricção no local, ou as nossas mãos vão rapidamente repousar nas testas febris ou aliviar dores de barriga ou de cabeça. Ao pegar ao colo, estamos a confortar, acariciar, ou a transmitir simpatia, compreensão, incentivo. Mas, o abraço de duas pessoas, pode significar um gesto de pura amizade, ou servir para transmitir a nossa felicidade, carinho, amor ou simplesmente alegria.
Sozinhos e sentindo dor, embalamo-nos e abraçamos com intensidade, repousando a cabeça cansada nas mãos, massajando de forma inconsciente as partes doloridas do nosso corpo.
Conta-se que: uma enfermeira foi contra as regras hospitalares e colocou as duas crianças juntas numa única incubadeira. Depois de colocadas juntas, a mais saudável estendeu o braço e colocou-o sobre os ombros de sua irmã.
Minutos depois o coração da mais frágil teve os seus batimentos estabilizados e a sua temperatura corrigida para níveis normais. Isto vem demonstrar que já nascemos conhecendo
o valor do abraço.
È este o valor do toque humano!

